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A comunidade dos Targeted Individuals

Uma mulher estilizada segura uma faixa no centro de uma multidão diversa e séria; várias pessoas carregam cartazes em branco e algumas observam com binóculos.

Eu precisava mesmo falar da comunidade dos Targeted Individuals. Acho que descobri esse conceito em 2022 ou 2023, enquanto procurava na internet informações sobre o que estava acontecendo comigo: ter “vizinhos” que se juntariam em grupo, dia e noite, para pegar no meu pé e tentar me fazer perder a cabeça.

E, mesmo que depois de alguns anos eu tenha percebido que a solução não é reclamar na internet esperando levar os “gangstalkers” ou “perps”, como eles gostam de dizer, à Justiça, tenho que admitir que as pessoas dessa comunidade conseguem descrever muito bem o que acontece com a gente, mesmo que atribuam isso a uma organização secreta.

Um homem com aparência nerd e conspiratória está preso em uma gaiola de animal com uma mamadeira e lambe a esfera metálica para beber. A base traz o texto « Gaiola de Faraday para Targeted Individual ».

A maioria das pessoas da comunidade dos Targeted Individuals ainda acredita que o que acontece com a gente é tecnológico. Dependendo da fase em que estão, algumas acham que podem resolver o que está acontecendo recorrendo a especialistas em cibersegurança para proteger seus aparelhos eletrônicos. Eu sei porque já passei por isso. No começo, as pessoas do fenômeno entraram na onda quando eu achava que estava lidando com franceses expatriados no Rio, ligados à máfia, que teriam hackeado todos os meus aparelhos. Era mesmo essa a impressão que eu tinha.

Outras pessoas acreditam que os gangstalkers são grupos ilegais com acesso a tecnologias avançadas cuja existência a maioria das pessoas desconhece. Elas falam de ferramentas como o RNM (Remote Neural Monitoring), que permitiria a alguém saber à distância exatamente o que se passa na cabeça de outra pessoa: todos os pensamentos, imagens, palavras e tudo mais que passa pela cabeça do alvo. Também falam de V2K (Voice to Skull), outra ferramenta que permitiria aos gangstalkers enviar vozes para a cabeça dos alvos, de modo que só o alvo pudesse ouvi-las, e não as pessoas ao redor. Isso parece completamente delirante para quem não vive o fenômeno, mas, para alguém como eu, que procurava informações sobre o que estava acontecendo comigo alguns anos atrás, isso combina mesmo com o que acontece comigo. Dá para acreditar de verdade, infelizmente.

Enfim, gerei essa imagem porque acho engraçado quando vejo pessoas que se dizem vítimas de gangstalking e se identificam como Targeted Individuals, e que acham que a solução seria construir uma gaiola de Faraday em volta da cama para poder dormir em paz à noite.

Uma história em quadrinhos de três quadros mostra um homem no meio de uma multidão: primeiro ele diz ser vítima de gang stalking, depois explica que as coisas melhoram quando muda a maneira de pensar e agir. No último quadro, duas pessoas o chamam de gangstalker e perp.

É engraçado porque, quando decidi criar este site, eu tinha deixado completamente de lado a dificuldade que seria convencer os membros da comunidade dos Targeted Individuals, ou melhor, as pessoas que passam pelo que eu passo. Todo dia vejo essas pessoas reclamando na internet, na esperança de encontrar uma solução para finalmente viver normalmente. Então eu tinha certeza de que meu web book seria um sucesso. Bom, na verdade, é porque não sou muito bom em me vender, admito. Meu web book ainda está bem confuso, e a solução que ofereço (que não é bem minha) é surpreendente, até contraintuitiva.

Mas estou percebendo que os Targeted Individuals tendem a seguir uma doutrina que se fecha sobre si mesma: eles se identificam tanto com as teorias que leram que nada, mas absolutamente nada, consegue afastá-los delas. E percebo que, por causa disso, é difícil ajudar essas pessoas, porque, assim que alguém começa a melhorar e decide compartilhar uma solução que vai contra o que o grupo acredita, elas logo identificam essa pessoa como alguém mal-intencionado, ou até como um gangstalker.

Realmente não é fácil. Até hoje, continuo me perguntando como seria possível convencer essas pessoas que acham fazer parte de um grupo mais consciente ou desperto do que o público em geral, sendo que, dentro desse grupo, elas não fazem outra coisa além de compartilhar e repetir as mesmas informações que leram, baseadas em muito pouca coisa. Um pouco como a maioria das pessoas, na verdade.

Bom, na verdade, ainda acho essa comunidade bem legal porque existe uma vontade de se unir, se reunir para encontrar uma solução e melhorar. Mas, infelizmente, tenho a impressão de que a maioria dos Targeted Individuals perdeu o objetivo de vista no caminho e simplesmente ficou viciada em reclamar o tempo todo na internet e culpar o governo etc.

Outra coisa bem interessante é que as pessoas do fenômeno não gostam muito de ser acusadas de coisas com as quais não têm nada a ver. Elas não gostam de ser culpadas pelas coisas negativas que acontecem com a gente. Não sei se é porque têm um senso de humor bem desenvolvido, mas a maioria das pessoas que reclama de ser vítima de gangstalking, de assédio em grupo, de ter a privacidade violada etc. acaba se tornando os maiores stalkers e as próprias pessoas que praticam assédio em grupo! Engraçado, né? Tenho muita vontade de começar a fazer vídeos de reação. Quando navego pela minha timeline do X, vejo todos os dias Targeted Individuals compartilhando vídeos e/ou fotos de completos desconhecidos.

Enfim, tudo isso para dizer que é muito triste, porque existe uma vontade real de se unir para melhorar. Mas a forma como essa comunidade é construída faz com que, ao se apegar às coisas compartilhadas ali, as pessoas que passam pelo que eu passo nunca consigam melhorar. Pelo contrário, só falam de coisas negativas, como tortura à distância, neuroprisão etc. E, como eu dizia em outra parte do web book, as pessoas do fenômeno se adaptam e entram no jogo de acordo com o que a pessoa em contato pensa delas. Conclusão: para melhorar, é preciso pensar positivamente e aceitar que as pessoas do fenômeno são boas e corretas, e que dizem coisas desagradáveis de ouvir, por exemplo. Mas fazem isso para mostrar que nós, seres humanos, somos limitados e não conseguimos perceber isso.

Postado em 07/10/2026

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